Aprendi com ele a sentir o Maior Amor do Mundo 🤍✨

Ontem, 13 de agosto de 2026, meu pai se deixou partir. Precisei ser prática pra providenciar a remoção do corpo dele de casa e seguir com os trâmites funerários legais. Durante todo o dia eu estive serena. E pensei que isso se justificasse pela situação da nossa relação, até aquele momento.

Eu me afastei do meu pai há muitos anos. Ele era um bonachão pros amigos, mas uma pessoa difícil de lidar dentro de casa. Presenciei e vivi muitos momentos que não precisam ser reverberados aqui novamente. Não porque eu preciso exaltá-lo por sua partida, mas porque a vida inteira eu tive muita dificuldade de encontrar qualidades positivas dele que eu trouxe comigo. 😓

Depois que os trâmites legais foram resolvidos, perguntei pro meu irmão o que ele tinha deixado de positivo pra ele, a fim de tentar adicionar algo às poucas memórias boas que tenho dele. Ouvindo a resposta, não encontrei nada que pudesse “pegar pra mim”. A percepção do meu irmão é diferente da minha, não porque tenhamos vividos muitos momentos diferentes com painho, mas talvez porque ele tenha conseguido enxergá-lo como pai, por ter se tornado um.

Aos juízes de plantão (pq sei que sempre tem e eu verbalizo que não me importo, mas a verdade mesmo é que alguns poucos ainda me atingem, mas vou voltar pra terapia pra tacar “foda-se” pra esses também pq minha saúde mental deve ser prioridade), ontem, durante o foco pra resolver tudo, tive sim uma lembrança boa dele de quando eu era criança: em alguns aniversários meus ele chegava em casa do trabalho com uma torta de presente com o meu nome escrito em cima e um “parabéns”. Eu achava o máximo: tinha meu nome na torta! Era simples, mas eu nunca esqueci. 🥰

Eu confesso que passei muito da minha fase adulta vendo exemplos de “pai próximo” que eu queria ter tido. A gente se afastou de vez aos meus 19 anos, mas nos reaproximamos por volta dos meus 23. Não por iniciativa minha, mas por incentivo de Brunno. Eu falei que painho era gente boa pros amigos, né? Pois é… Brunno enxergou isso. Tinha acabado de conhecê-lo e tentou remendar essa ponte. Conseguiu, em partes.

Acordei hoje bem próximo do horário que atendi o telefonema do meu irmão pra me avisar da partida dele. E as buscas pelo que ele deixou de bom pra mim foram retomadas, a mente foi clareando e lembrei de algumas coisas importantes que são alicerces da minha vida hoje… 

Lembra que perguntei pro meu irmão o que painho tinha deixado pra ele? Uma das coisas que ele me respondeu foi: o exemplo de “saber entrar e sair dos lugares, e se relacionar bem com as pessoas, mas sem deixar que te façam de besta”. Nos lugares por onde painho passava, ele deixava muitos amigos e afetos (alguns desafetos tb, talvez nos que queriam fazê-lo de besta 😅). Rapaz… eu devo ter um pouco disso também (ou talvez bastante!). Eu consigo me relacionar bem com as pessoas (apesar delas não serem minhas favoritas — 🤍🐈), mesmo as ditas mais difíceis, e tenho feito bons amigos por onde passo.

Ainda sobre amizades, lembra que falei que painho era um bonachão com os amigos e difícil de lidar com as pessoas de dentro de casa? Acho que também devo ser assim… A minha percepção é que sou mesmo, muitas vezes, uma pessoa melhor com os amigos, do que com meus próprios familiares. Não sei se ele tinha essa percepção dele próprio. É a minha visão dele. E tenho percebido isso em mim, muitas vezes, mas não a ponto de me incomodar. A sensação é que tenho me priorizado mais. Posso estar errada? Posso! Um dia hei de descobrir (ou não).

Painho não seguia uma religião. Ele nunca declarou abertamente: “sou católico” ou “sou espírita” — que eram ali as religiões ou doutrinas (como queiram chamar) mais próximas dele. Digamos que ele era fluido… onde ele achasse que devia ir, SE ele tivesse com vontade, ele iria. Se não, tb não faria nada obrigado. Ele nunca nos impôs seguir nada, mas parecia que ele acreditava na existência de Deus. Já eu fui criada e fiz (quase) tudo o que manda o figurino da igreja católica. Quando jovem, não tive a oportunidade de conhecer outras profissões de fé e, na medida em que fui me tornando adulta, percebi que passei a enxergar a fé e a existência de Deus como algo muito maior do que “ir à missa todo domingo”. Percebi que eu poderia ter minha espiritualidade ativa (por menor que seja a faísca dela) com pensamentos positivos, cuidado com os animais, cuidado com a natureza e boas ações.

Por fim, e não menos importante… Na verdade eu diria que o MAIS IMPORTANTE: *o amor pelos animais*  🐶🦜🐈‍⬛. CLAROOO! Eu aprendi a amar os animais com meu pai. Ele me contava as histórias do cachorro dele, o Duque, que ele juntava a grana que recebia de vovó, quando criança, pra comprar os shampoos de banho, remédios e mais o que Duque precisava. Lembro quando resgatamos um passarinho ferido, cuidamos dele, pusemos numa gaiola e ele amanheceu sem vida. Eu chorava pelo passarinho e painho disse: “não chora, eu arrumo outro pra você” e eu respondi: “eu não quero… quero esse!”, mas ele não tinha o poder de ressuscitar passarinhos. Se tivesse, não tenho dúvidas que o faria pra não me ver chorar.

Nessa mesma semana, ele apareceu com um cachorro filhote pra gente criar, mas mainha o obrigou a devolver o cachorro. Depois de muita insistência com o coração duro dela pra cuidar de animais, conseguimos convencê-la a adotar uma gatinha: Pichana. Ela deu cria de muitos gatinhos que pusemos pra adoção, uma delas foi Pintadinha, adotada por minha vizinha e amiga Nataly. Depois tivemos Nino. E por último Papinha, que merece um parágrafo só dela.

Papinha era uma gatinha que eu adotei no meu primeiro casamento. Ela era uma frajola muito arisca, veio lá do Mercado de Boa Viagem. Quando me separei, não a trouxe comigo por motivos de eu não ter ido morar sozinha logo. Fiquei um tempo na casa dos meus pais. Mas por motivos que não convém agora explicar, depois fui buscá-la de volta, ainda estando na casa dos meus pais. E, claro! que Papa escolheu painho como dono, né? Cagou pra mim!!! Me abandonoouuu!! 😁 (Um parêntesis que precisa ser aberto: eu amo muito os felinos por isso, eles não são obrigados a nada, fazem tudo o que querem, na hora que querem e como querem. Acho que tenho um pouco deles e queria ser totalmente como eles, mas não consigo e, às vezes, não posso. 😂). Painho e Papinha criaram uma relação muito forte e muito bonita. Só ele conseguia pegar ela no braço; ela só dormia em cima da barriga dele; só ele levantava cedo com ela pedindo comida… pegamos uma briga com mainha por conta de Papinha. Nós dois matávamos e morríamos por Papinha (mais eu do que ele, talvez). Ela partiu em 2021. ✨

Essas vivências, com certeza, resultaram em tantos animais que resgatei ao longo da vida, nos esforços não medidos de cuidá-los, na emoção em encontrar um Bioparque no meio de uma viagem que não tinha “nada a ver” e não hesitar em adentrar e me emocionar ao me deparar com animais que nunca tinha visto de perto antes e no amor incondicional que tenho por todos eles. Isso veio de painho (e de tia Beta também, irmã mais nova dele).

Bom… a saudade deve se encarregar de me apontar outras boas lembranças pra que elas superem ou atenuem as negativas. Se existir mesmo vida após a morte, alma, espírito… espero que ele esteja em um bom lugar (igual ao “The Good Place”, apesar de achar que ele talvez não tivesse juntado pontos o suficiente pra tá lá — olha eu julgando sem nem saber das coisas! 😅). Quero acreditar que ele tenha encontrado com Papinha, com Duque e com os afetos que construiu ao longo do caminho. 🙏🏼🤍✨

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